II FORUM BRASILEIRO DE ENERGIA

       Durante quatro dias, de 27 a 30 de abril de 2010, o Instituto Venturi para Estudos Ambientais promoveu o II Fórum Brasileiro de Energia. O Instituto Venturi contou com a co-realização do Centro Nacional de Tecnologias Limpas – CNTL/SENAI-RS, que já havia sido parceiro para o I Fórum Brasileiro de Energia, em 2008.

       Esta segunda edição do evento transcorreu no âmbito da FIEMA – Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente, em Bento Gonçalves, RS, cidade fundada por imigrantes italianos no século XIX, contando hoje com uma população de pouco mais de 100 mil habitantes, sendo um agradabilíssimo pólo industrial e turístico, em razão da preservação das tradições coloniais italianas. Localizada na Serra Gaúcha, na rota do vinho, a 125 Km de Porto Alegre, bento Gonçalves destaca-se, além de  sua atividade turística, pelas indústrias vinícola e moveleira. O Centro de Eventos Fundaparque-Fenavinho, onde aconteceu o II Fórum, é o maior da América Latina em termos de capacidade para eventos

Formato do Evento

       A exemplo de sua primeira edição, em 2008, o II FORUM BRASILEIRO DE ENERGIA optou pelo debate horizontal, privilegiando igualmente palestrantes e platéia.

       Os expositores e debatedores abordaram assuntos através de painéis como “Eficiência Energética: a energia necessária para o desenvolvimento do Brasil”, “Desenvolvimento dos programas de Eficiência Energética”, “Matriz Energética Brasileira e Estratégias de Desenvolvimento”; “Energia Sustentável”, entre outros.

       A tônica do II Fórum foi a perfeita consonância com as linhas traçadas há dois anos, no I Fórum, com o perfeito seqüenciamento dos estudos e exposições.

Os Trabalhos do Fórum

       No primeiro dia, após o cerimonial e recepção das Autoridades, iniciaram-se os trabalhos propriamente ditos.

       Na palestra inaugural do evento, Luiz Roberto Porto, engenheiro da Eletronucelar e inspetor da Agência Internacional de Energia Atômica,  falou sobre  “AS USINAS NUCLEARES E A PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL E NO MUNDO”, enfatizando os mecanismos de segurança adotados pelo sistema utilizado no Brasil, que é o PWR (Pressurized Water Reactor).

       Segundo o eng. Porto, houve dois grandes desastres com energia nuclear no mundo, um em Chernobyl, que utilizava outro sistema e causou danos imensos, e outro em Three Miles Island, Estados Unidos, onde, apesar da perda total da usina, nenhum prejuízo ecológico foi causado ou vida humana foi perdida.

       Para ele, nenhum outro resíduo no mundo é tão rastreado, quantificado, identificado e bem armazenado quanto os resíduos de usinas nucleares. O Brasil tem a localização e guarda da totalidade dos resíduos produzidos, a par das condições vantajosas de preço energético. Países como a China estão construindo 28 usinas nucleares ao mesmo tempo. Na França, de cada quatro Megawatts produzidos, mais de três provêm da energia nuclear. A Itália, embora proíba tais instalações nucleares, utiliza essa energia, comprada da França.

       As demais exposições, ao longo dos quatro dias, abarcaram desde as políticas energéticas até questões técnicas e comerciais.

       O Dr. Djamil de Holanda Barbosa, assistente da Diretoria de Tecnologia da Eletrobrás iniciou o painel intitulado “Balanço das Ações de Eficiência Energética e a Influência do I Forum Brasileiro de Energia”, destacando o papel que teve o conjunto de discussões daquele primeiro evento para uma série de decisões.

       O engenheiro Alexandre Behrens falou no Painel sobre Desenvolvimento dos Programas de Eficiência Energética, discorrendo sobre o papel das Escos – Energy Saving  Companies e os desafios para a aplicação dos programas de eficiência energética  na indústria brasileira.

       No mesmo painel, a engenheira Ingrid Utz Melere discorreu sobre as concessionárias e a questão da eficiência energética.

       Também a área da construção civil foi contemplada no painel intitulado Construindo as Melhores Alternativas, onde o Dr.Paulo Otto Beyer, prof. da UFRGS e Diretor da Asbrav, falou sobre Green Buildings e o desempoenho energético de edificações. No mesmo painel, o Dr. Guilherme Queiroz discorreu sobre a ISO TR 14062 e a integração de aspectos ambientais no desenvolvimento de produto.

       Especial destaque foi dado às possibilidades de uso da energia solar fotovoltaica. Os professores doutores Izete Zanesco e Adrano Moehlecke, do Núcleo Tecnológico de Energia Solar da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS discorreram sobre seu trabalho no desenvolvimento de projetos de pesquisa e desenvolvimento de células solares, módulos fotovoltaicos e sistemas fotovoltaicos.

       A equipe coordenada pelos professores desenvolveu uma planta-piloto de produção de módulos fotovoltaicos, valendo-se de tecnologia local, com vistas à futura transferência desse know how e tecnologia para a implantação de uma indústria nacional, tornando-a competitiva em poucos anos.

       Enquanto que no Brasil a principal utilização desse tipo de energia está centrada na fabricação de aquecedores, em outros países, como na Alemanha, dezenas de milhares de casas já possuem sistemas de geração próprios, através de placas instaladas nos telhados ou nos jardins, produzindo energia elétrica de todo o uso residencial.

       Já o professor doutor Gilnei Ocácia entende que sistemas locais de produção de energia elétrica a partir de energia solar direta ainda apresentam um alto custo se comparado ao da geração através de sistemas convencionais. Para ele, um fator decisivo para a viabilização econômica desses sistemas há que ser levada em conta a distância e extensão da linha de transmissão que separa a geração do usuário, além do fator de carga apresentado pela rede.

       Dos quatro dias do evento, a tarde do terceiro dia foi dedicada a trabalhos científicos, apresentados por mestres, doutores e doutorandos, expondo o resultado de sua produção científica.
      
       O último dia foi dedicado a um mini-curso intensivo, intitulado “Interface da Produção mais Limpa com a Questão Energética”, ministrado pelo eng. Carlos Alexandre Talheimer, do CNTL/SENAI – Centro Nacional de Tecnologias Limpas.

     No total, foram cerca de 25 participantes diretos, entre palestrantes, painelistas  e apresentadores de trabalhos científicos.

Missão Cumprida

      “O II Fórum Brasileiro de Energia, além de dar seguimento aos estudos iniciados no I Fórum, consolidou-se como, talvez, o espaço mais representativo do país para as discussões sobre o panorama das políticas energéticas”, declarou o eng. Eduardo Mc Mannis Torres, Diretor Técnico do Instituto Venturi Para Estudos Ambientais.

      Para a bióloga Arlinda Cezar, coordenadora do II Fórum Brasileiro de Energia, “as expectativas foram plenamente alcançadas. Conseguimos manter o mesmo patamar de discussões e apresentações que já tínhamos apresentado no I Fórum, avançando em direção a novas possibilidades em termos de geração de energia”.