 |
 |
 |






 |
 |


•
O Que é Risco?
Até que ponto devemos nos
preocupar com substancias tóxicas, quando há tanto o que fazer
na vida?
As atitudes públicas a respeito dos
riscos que estamos correndo em presença dessas substâncias são
muito variadas. Quando tentamos conscientizar uma pessoa ou
simplesmente informá-la dos perigos que corremos ao
manusearmos um produto de limpeza, o que ouvimos como
resposta, geralmente, é o seguinte:
‘‘Eu vou morrer
de qualquer jeito mesmo.’’ ‘‘Porque devo me preocupar com isso
quanto há mais pessoas morrendo de acidentes de carro que do
uso desses químicos?’’ ‘‘Você me diz que uma pessoa em cada
milhão que usa esses produtos irá contrair câncer, mas você
esta falando de probabilidade – eu estou interessado com o que
vai acontecer comigo.’’ ‘‘Meu tio usou esses produtos pôr toda
sua vida e viveu até 101 anos- porque deveria me preocupar?’’
Isto reflete seriamente os mal-entendidos sobre a
natureza do risco. O que causa mais confusão na cabeça do
público consumidor é que risco é expressado em termos de
probabilidade, o que se deve, em parte porque os seres humanos
não são idênticos e, conseqüentemente, não respondem da mesma
maneira à exposições similares. Sendo assim, os resultados de
testes obtidos em laboratórios têm que ser escritos tal como
uma probabilidade, ou seja, ‘‘Se um milhão de indivíduos
bebem água de uma mesma fonte contaminada, então, a
probabilidade é que 10 dentre eles desenvolvam câncer como
resultado.’’ - uma expressão matemática a respeito de como
é provável de alguns eventos ocorrerem e demonstrada como uma
fração de intervalo de 0 (absoluta certeza que não há risco) a
1.0 (absoluta certeza que há um risco). Os indivíduos
específicos que desenvolverão câncer como um resultado da
contaminação não podem ser preditos. Nem podemos ter certeza
que exatamente 10 membros do grupo desenvolverão câncer; pode
ser que mais de 10 venham a desenvolver ou nenhum. Por
exemplo, se uma pessoa do grupo for, particularmente,
vulnerável ao tipo tóxico, certamente, será contaminada com
apenas uma pequena quantidade. No entanto, os membros do grupo
que são resistentes a esse tipo de tóxico, provavelmente, não
sentirão os efeitos ou precisariam ingerir uma quantidade bem
maior para serem contaminados. Porém, ninguém pode responder
esta questão antes dos fatos ocorrerem; a escolha é de cada um
– correr o risco ou não.
A questão do risco é ainda
mais complicada pelo fato de que algumas atividades de risco
estão mais sujeitas ao nosso controle que outras. É natural
sentir mais medo dos riscos associados com atividades que
estão além do nosso controle. Por exemplo, muitas pessoas
sentem medo de viajar de avião mais que de carro, embora, o
risco de acontecer um acidente de carro seja muito maior de
que de avião comercial. A percepção dos riscos de exposição a
tóxico não é diferente. Nós podemos ser facilmente
‘‘tapeados’’ com a idéia de que qualquer exposição a tóxico é
insignificante.
Um dia, eu presenciei uma conhecida
pulverizando inseticida para afugentar as moscas, num dia de
festas em seu apartamento. Tentei detê-la, mas ela insistia
que aquele novo produto tinha um bom aroma, portanto, não
fazia mal algum. Não só ela não teve consciência dos riscos
que estava correndo como, também, não respeitou as demais
pessoas presentes, as quais foram, involuntariamente, expostas
ao mesmo risco.
Na escola em que eu fiz meu primeiro
grau, aconteceu um fato que chocou a todos. O zelador, um
senhor idoso e muito querido dos alunos, um dia, estava
limpando os sanitários da escola e decidiu usar um produto
para desentupir o vaso sanitário. Ele, coitado, não tinha a
menor idéia do que poderia vir a acontecer em razão do seu
ato. O refluxo da descarga fez com que o produto atingisse
seus olhos, cegando-o para sempre.
Portanto, nesse
contexto, eu sugiro que o leitor faça a mesma pergunta que os
autores do livro ‘‘Toxics A to Z ’’, sugerem: ‘‘ Eu estou
obtendo benefícios suficientes de exposições a tóxicos para
tornar o risco à saúde aceitável para mim?’’ .
Voltar
|
 |


 | | |